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| Sortilegiu por João Roncatto |

Brasília 11 de dezembro de 2007, terça-feira.
Cheguei a Brasília dia 3 de dezembro numa segunda-feira, aproximadamente às 7h00 da manhã. Não fiquei impressionado com as luzes da cidade, elas já se apagavam e eu moro em uma cidade onde luz é o que se gasta de mais.
Reconheço que algo diferente inquietava-se dentro de mim, pois eu estava entrando na capital do meu país.
Política não é meu forte embora goste de ficar por dentro de tudo que acontece, já que eu dependo diretamente dela para viver.
Talvez eu esteja muito desapontado com a política, com os políticos?
Certamente.
Fomos até o apartamento na Asa Norte, deixamos nossas malas, tomamos um banho e seguimos para a obra onde fui trabalhar com meu pai como assistente na topografia.
A obra era a do Carrefour Asa Norte, o maior mercado da América Latina. Lá encontram se as maiores esteiras rolantes da América Latina também. - Informação inútil.
Entrar naquele ambiente rústico em formação teve um ar nostálgico. Já estive nele antes e posso dizer que não é o melhor lugar do mundo mais eu gostei dali, aprendi muita coisa, muito sobre construção civil, sobre elétrica e afins. ( Sobre cenário)
Estando aqui na Capital, não poderia ficar sem conhecer uma parte daquilo que meu dinheiro ajuda a manter.
Acho importante o brasileiro ir até seu Congresso, sua Câmara de Deputados, de Senadores, conhecer a Famosa Praça dos Três Poderes, a Rampa do Palácio do Planalto onde fica nosso Excelentíssimo Presidente, em fim, conhecer as instalações da administração de seu país.

Peguei o carro uma noite e fiz uma espécie de turismo noturno. Andei de uma ponta a outra nas Asas do Avião, fui até a Explanada dos Ministérios, me perdi entre os blocos enormes, as quadras...
Claro que eu queria saber como funcionava a vida cultural e noturna da cidade, então eu pesquisei na internet onde estavam os teatros com espetáculos, os cinemas, bares, baladas.
No guia da semana achei duas peças que não me chamaram a atenção então pensei:
– Eu vivo teatro o ano inteiro, quer saber não quero ir ao teatro. Cinema? Pó, em São Paulo eu sempre vou ao cinema também, não é isso que eu vim fazer aqui. Quero conhecer a história musical da cidade. Por que não, já que as bandas que eu admirei na adolescência e ainda continuo gostando, saíram daqui?
Escrito por João Roncatto às 15h02
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Achei um Pub chamado Uk Brasil que fica na Asa Sul - CLS 411 bloco "B" loja 28.
Fui assistir uma banda de Brasília chamada Magôo.
Adorei o lugar a começar pela recepção. Fui muito bem atendido na portaria e lá, por as pessoas não serem tão violentas como em São Paulo, nem cogitaram a necessidade de me revistar.
Dentro do pub fui até o balcão e pedi uma bebida. O lugar ainda não estava cheio (o que viria acontecer em 30 minutos após), e puxei um cigarro da carteira quando a garçonete, gentilmente me alertou – Senhor aqui não é permitido fumar! – Pensei, Fodeo! Como eu vou ficar aqui num show de rock ao vivo com bebida e sem cigarro? Eis que ela me deu a solução, que não era das melhores, mas não seria de tão mal assim. Ela me explicou que em Brasília não se fuma em hipótese alguma em lugares fechados devido a uma lei e que para superar isso, a casa dispunha de um local para fumantes, um Fumodromo.
Ok, eu fui para o Fumodromo. E foi aí que minha visita se tornou mais interessante.
O lugar é uma sala apertada, mas muito aconchegante e lá conheci outros fumantes, o Gustavo, a Fabiana e a Aline (que não fumava), mas estava lá para acompanhar os amigos.
A conversa estava próxima e convidativa então nos apresentamos. Pronto, já tinha companhia para a balada. Fomos trocando idéia e curtindo a noite.
Em um momento fui pegar uma outra bebida e uma garota chegou para conversar comigo. Era vendedora de carros, mas não deve vender bem... Que “cabecinha de girico”... Não deu pra ficar do lado dela, então eu voltei logo para junto dos novos colegas.
Muita música, bebidas leves e bastante água mineral.
Um pouco mais tarde voltei ao Fumodromo e lá estava uma garota meio gordinha, loira e com sua alto-estima muito baixa, olhou para mim e disse – Não fique perto de mim que você passará vergonha!
Não tinha como ficar longe, a sala era muito pequena e sem entender nada acendi meu cigarro.
Segundos depois ela diz do nada: Não converse comigo que vai ficar mal!!!
Até então eu estava em silêncio não tinha falado nada!?
Que ingenuidade, ela quer conversar... Pois então, que jeito bacana de puxar assunto hein! Eu disse a ela continuando: Meu nome é João e o seu?
Ela me disse seu nome mas já me esqueci. Guardei as informações do seu lugar de origem, Olímpia – SP (porque eu já morei lá), e a nacionalidade italiana de seu pai – E daí? – Você deve se perguntar! Foi o que eu me perguntei também!
Ela tinha acabado de escorregar na balada, claro que por estar bêbada e então foi fumar um cigarro com uma cara de acabadinha, coitadinha!!!
Eu disse que era mineiro e tinha morado em Olímpia mas no momento estava vivendo na Capital paulista - Um cigano nômade.
Ela deu umas viradas de olho cabulosas, seus amigos chegaram para acompanhá-la, meu cigarro acabou, eu pedi licença e sai daquele ambiente.
Pensei: Aqui também tem muita gente doida, hehe, e isso é o que mais tem no mundo.
Era 3h00 da manhã e estava na hora de descansar.
Troquei telefone com a Aline e ela me disse que iria apresentar uma amiga Jornalista muito bacana e que iríamos nos dar muito bem.
Fui para casa.
No dia seguinte, sexta-feira, fui trabalhar.
Trocamos recados pelo orkut.
Escrito por João Roncatto às 14h58
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No sábado à tarde a Marcela, jornalista que trabalha na TV Justiça e amiga da Aline me ligou. Foi super cuidadosa comigo, muito simpática e queria ser muito prestativa.
Esse é o lado caloroso e receptivo dos brasilienses.
Acontecia no Casa Park uma mostra de cinema que se discutia os Direitos Humanos.
Marcela, com toda sua gentileza, foi me pegar e fomos para a mostra.
Não vimos nenhum filme, pois chegamos atrasados à sessão. O filme do horário já tivera começado.
Tomamos um café na Livraria Cultura, conversamos, nos conhecemos, ela falou de seu trabalho, eu falei do meu e descobrimos muitas coisas em comum.
Ao fim do café entramos em uma sala onde o um diretor de um dos filmes, um raper e um pessoal - representantes da secretaria dos direitos humanos, discutia o trabalho artístico como veículo para a valorização e respeito do ser Humano. – Bem, eu acho que era isso... Com cara de pagação de pau.
Sabe aquele tipo de pseudo-intelectual que se uni com outros pseudo-intelectuais e resolvem que aquele papo ali naquela sala de cinema, dentro de um prédio elitista vai resolver o problema do mundo! Pois então era isso.
E o pior, a verdade era só deles e para eles Tropa de Elite é um filme fascista.
Porra, quer exemplo maior de violação dos direitos humanos, que os delatados no filme????
Bicho, se você é um diretor e não entendeu o filme, pára velho, vai ser bancário!
Aproveita que esta em Brasília e vai prestar concurso porque lá todo mundo e funcionário público.
Para mim eles estavam é com ciúmes mesmo.
Escrito por João Roncatto às 14h56
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E Outra, queriam levar a arte para a favela, queriam levar câmeras para a favela e colocar na mão dos meninos que ali moram, queriam ensiná-los a magia de fazer cinema para que eles mesmos mostrem suas realidades...
Espera aí meu chapa????
Ensinar a Magia de fazer cinema? Pra mim isso tem mais cara de Workshop para passar fome!
Para que eles mesmos mostrem a sua realidade?
Meu, isso sim é fascismo. Você não vai resolver nenhum problema assim. Você vai aumentar outro... Dar acesso à arte aos menos favorecidos não é jogar umas câmeras e meia dúzia de fitas beta na mão deles e ensinar como faz!!! Estará colocando um material na mão de pessoas que até vão levar a sério a história, mas se esquecem que estes futuros profissionais de cinema vão se unir aos profissionais sem grana que não recebem ajuda do estado, que não recebem patrocínio e que ficam mendigando trocados para fazer seus filmes documentários, etc e tal.
A garotada vai começar, mas quando precisar de manutenção da aparelhagem, quem vai pagar a conta? Será que realmente um projeto como esse teria acompanhamento?Seria continuo? Ou tem mais um jeitão de fogo de palha?
Isso é dinheiro jogado fora.
Acesso à arte não é transformar todo mundo em cineasta. È fazer cinema, e levar para eles de graça. Mas isso o cineasta na mesa não queria, por que será?
Será que fazer isso de graça não compensa?
Cara não é nem isso, é que ninguém vive de brisa, de luz meu chapinha...
O sistema é foda!
Enfim, ficaram lá na sala do cinema do shopping de rico uns 60 minutos discutindo e um querendo falar mais bonito que o outro, sendo que a resposta da problemática para um maior respeito entre Seres Humanos, esta simplesmente na EDUCAÇÂO para todos. Uma BOA EDUCAÇÂO acessível para todos.
Transforme o povo e seres realmente pensantes e conhecedores, incentive a leitura, dê cinema de graça, dê teatro de graça, dê música. De tudo que alguém pertencente à classe media ou qualquer classe mais alta tem acesso para ver se eles não se tornam mais atuantes na vida e menos ociosos.
O sujeito sem educação acaba nas ruas sem emprego, se envolve no crime, acaba sendo jogado numa sela com outros centos de milhares iguais a ele e isso resulta em gente acorrentada em pilares, mulheres dividindo selas com homens famintos por sexo (animais), e isso é o que? Hein? Responde? Uma única chance - Violação dos Direitos Humanos.
Vamos usar a teoria do cáus a nosso favor. Mas do avesso, vamos melhorar a educação para ver se esse efeito dominó toma um outro rumo. Eu tenho 27 anos e ainda não vi isso acontecer no Brasil.
E não é o artista que tem que fazer isso de graça, não! Ele tem que receber pra isso e quem tem que pagar é o governo, sabe por que? Porque nós brasileiros, trabalhamos 40% do ano só para pagar impostos brothinho!
Que democracia é essa onde a base governista espera adquirir, ou seja, comprar votos favoráveis à continuação da cobrança do CPMF (Imposto sobre o Cheque), para depois colocar em votação! (*#@%¨&*)
Escrito por João Roncatto às 14h54
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Que revoltante – Tanto Senado quanto a Câmara dos Deputados somente tomam atitudes quando há conveniências nas decisões, e não conveniências para o povo, conveniências unicamente partidárias, internas que não dizem respeito ao Seu João, Seu José, à Dona Maria, ao Pedrinho.
Quer um exemplo fictício:
Entrará em votação a medida Z.
Quantos partidos perderão com isso?
Muitos?
Poucos?
Quem são eles?
Rolarão cabeças de políticos?
Quais as cabeças que irão rolar?
Ai levando estas e outras perguntas como estas em consideração a medida Z vai ou não para votação.
E o povo? Algumas destas perguntas à cima são referentes ao povo?
Depois de tomada a decisão de ser ou não votada ai eles começam a discutir que decisão tomar a respeito do que a Medida Z propõem.
E as perguntas se repetem... É sempre assim.
Pra mim isso é fascismo e na cara dura!!!
Saímos do debate, eu com toda essa caraminhola na cabeça e fomos tomar uma cerveja.
Marcela me mostrou pontos turísticos lindos como o Pontão, muito iluminado neste natal e à beira do lago Paranoá.
No dia seguinte depois de uma passada na obra com meu pai, Marcela me liga e me convida para uma festa na casa da Raquel, com amigos também jornalistas.
Eu fui devagar na bebida alcoólica e me dei bem, já a Marcela... Hihi! Ninguém é de ferro.
Na segunda, trabalho e medições de um muro danado que não quer ficar onde foi construído. Estava se movendo e é isso que está nos mantendo mais em Brasília.
Muro é feito para ficar paradinho no lugar e sustentando um talude enorme. Se ele cai desmorona tudo.
O muro já foi reforçado e propendido, ele vai parar.
Hoje é terça-feira, já poderia estar em São Paulo. Tinha um filme para fazer que foi cancelado por falta de horário no estúdio devido ao grande número de filmes de natal.
Então vou ficar por aqui até meu pai ir embora.
Bem na verdade até dia 16, pois estou morrendo de saudades de minha filhota e vou ficar uma semana inteira com ela enquanto a mamãe dela vai para a Argentina!
Escrito por João Roncatto às 14h52
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