Terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Na última quinta eu fui assistir “Cleide, Eló e as Pêras”. O texto é do Gero Camilo e a Direção do Gustavo Machado.
A Paula Cohen me hipnotizou ao longo de seu monologo. Uma lamentação poética sobre um amor. Um homem que ali não estava mas podia ser visto a partir das palavras sentidas.
E que homem ele me pareceu ser! Correção, pareceu não, ele foi...
E por tudo que ele foi a partir da descrição daquela personagem feminina aos soluços eu consegui admirá-lo e também odiá-lo.
E por ela? Qual era o sentimento?
Eu tive pena, eu amei, eu oscilei entre a sua malícia e sua inocência e até tirei uma conclusão – O Ser, seja quão forte for, quando apaixonado se perde e se entrega despido e desarmado sem defesas e suas palavras todas passam a ter um sentido abstrato conseqüente da confusão causada por esse amor e ódio.
É um desafio saber usá-las nessa hora.
Gero surgi do alto da fábrica. Observador!
Desce as escadas e se identifica. Parece-me um homem maduro certo de suas vontades.
Talvez sua fragilidade esteja estampada na garrafa de bebida que poderia ser qualquer coisa até um suco de caju. E o que pensar sobre isso?
Ele também lamenta alguém, a falta de alguém.
De suas palavras, gestos e peripécias, surge o sua verdadeira face. A de uma criança deslumbrada com mais uma das possibilidades que a vida lhe proporciona. A de amar.
De estar entre muitos ou todos e poder amar. Brincar com o amor. Ser o amor e levá-lo até as estrelas, todas elas. Estar cercado pelo universo, mas a contraposto disso tudo se sentir sozinho, solitário na multidão.
O que é isso?
Amor ou paixão?
Quem ama e como amar?
Se apaixonar?
No final tudo é penoso. Amar, odiar, se apaixonar... Um sofrimento prolongado.
Pêras.
CLEIDE, ELÓ E AS PÊRAS
Espaço dos Parlapatões
Praça Franklin Roosevelt 158 - Centro - fone 3258-4449
quintas e sextas às 21h00